O QUARTO DE JACK com “O Mito da Caverna” FILME e FILOSOFIA




O menino de 5 anos não conhece outra realidade a não ser a do quarto. Como seu mundo é muito restrito e confuso, ele se relaciona com os móveis e outros objetos presentes no quarto como se estes fossem pessoas, chegando a manter diálogos do tipo “Bom dia, cadeira número 1”, “Bom dia, cadeira número 2”, e assim por diante. Sua Mãe (com M maiúsculo, pois para ele este é o nome dela) faz de tudo para que o menino não sofra com a vida desumana que os dois levam encarcerados naquele minúsculo espaço. 

Para isso, ela cria para ele a fantasia de que o mundo e tudo que existe se resume ao pequeno quarto, ocultando-lhe a ideia de que estão em um cativeiro. Logo, para Jack, o Quarto (com Q maiúsculo) era todo o mundo.
O filme se divide em duas partes, dentro e fora do quarto, prisão e liberdade. Tudo o que Joy queria era sair do quarto e voltar para a família e quando isso acontece, ela não se vê feliz, entra em depressão profunda e tenta suicídio. Esse momento do filme representa as nossas fantasias de liberdade. Muitas vezes acreditamos que ao mudar de situação seremos mais felizes, ao sair de um casamento, da casa dos pais, de um emprego, ou qualquer situação em que nos sentimos presos, mas mudar de realidade não é garantia de felicidade.
A fuga nem sempre é o melhor que podemos fazer. Claro que em casos de prisão física ou emocional, quando não temos escolha, o melhor que podemos fazer é tentar fugir. Mas na maioria das vezes, nós mesmos nos colocamos em prisões. Nós escolhemos não ser livres quando não pensamos sobre nossas escolhas.
A única liberdade que existe é a consciência.


CAVERNA DE PLATÃO
Em primeiro lugar, podemos correlacionar a história de O QUARTO DE JACK com “O Mito da Caverna” ou “A alegoria da Caverna” do filósofo grego Platão, uma das mais clássicas histórias da Filosofia. 
Esse mito diz respeito a prisioneiros que, desde seu nascimento, encontram-se acorrentados no interior de uma caverna. Os prisioneiros estão dispostos de tal modo que seu ângulo de visão alcança somente a parede logo à sua frente. 
A caverna é iluminada por uma fogueira, sendo que as sombras dos objetos que passam em frente às chamas são projetadas diretamente na parede ao alcance da visão dos prisioneiros. 
Logo, para os prisioneiros, a realidade se trata apenas das figuras de animais, pessoas e objetos que conseguiam ver, sendo que, na verdade não se passavam de uma mera projeção.



Imaginemos que, certo dia, um dos homens seja forçado a sair da caverna. Certamente, a primeira coisa que ele notaria ao ser desacorrentado e pudesse ter outros ângulos de visão, é que passou a vida toda julgando sombras projetadas e não a realidade tal qual ela é cheia de cores e formas multidimensionais. Pensemos então que esse mesmo homem seja levado para fora da caverna. Imediatamente, por seus olhos nunca terem enxergado a luz do dia, ele sentiria o incômodo da visão ofuscada pela luz do sol pela primeira vez. Dessa forma ele levaria um tempo para que seus olhos se habituassem à nova realidade até que pudesse desfrutar das maravilhas ao seu redor.
A narrativa conta, ainda, que caso esse homem liberto voltasse para contar aos seus colegas cativos as maravilhas do mundo fora da caverna, ele seria tido como louco. Nenhum dos que nunca saíram do cativeiro acreditaria nele. Seria até mesmo ameaçado de morte caso não parasse com suas “maluquices”.

Fazendo uma analogia, o filme, no fundo, espelha essa situação do cárcere na caverna. Jack estava acostumado com sua única realidade (isto é, o quarto) e, por isso, para ele era muito difícil imaginar que havia um mundo cheio de cores, formas e sensações fora dali.

Por fim, gostaria de concluir com uma das cenas mais fortes e mais importantes do filme: quando os dois, mãe e filho, após já terem estado em um longo processo de readaptação ao mundo real desde sua libertação, regressam ao quarto onde ficaram presos por anos. 


Jack entra, percebe a falta de alguns móveis e diz “Ele parece pequeno agora”, “Não é mais o Quarto, talvez porque a porta esteja aberta. Sem a porta ele não é o Quarto”. Tais dizeres soam como: “Esse problema agora é pequeno. Eu tinha a percepção de que ele era muito maior. É porque eu estava naquela condição ‘x’, mas agora EU mudei. Por isso esta situação não é mais a mesma”.


REFERÊNCIAS
O QUARTO DE JACK SOBRE O OLHAR PSICOLÓGICO. LUIZA FRANCO. ACESSADO EM: http://luizafranco.com.br/o-quarto-de-jack-sobre-o-olhar-psicologico/

O que podemos aprender com o filme O QUARTO DE JACK (ROOM, 2015). Rafael Guerra RAFAEL GUERRA Psicólogo

ACESSADO EM: http://www.rafaelguerrapsicologo.com.br/2016/03/07/o-que-podemos-aprender-com-o-filme-o-quarto-de-jack-room-2015/



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